Após divulgar resultados, ações disparam! Demanda por serviços em nuvem continua a crescer rapidamente, e a CoreWeave (CRWV.US), considerada um “termômetro” para poder computacional de IA, tem pedidos em carteira superando US$ 104 bilhões e revisa previsão anual para cima
O desempenho da CoreWeave superou as expectativas, com o aumento da demanda por inteligência artificial impulsionando suas perspectivas.
De acordo com o aplicativo financeiro Zhihui, a CoreWeave (CRWV.US), fornecedora de infraestrutura em nuvem para IA apoiada pela Nvidia, divulgou seu balanço após o fechamento do mercado nesta terça-feira, trazendo novo ânimo à recente onda de investimentos em IA que vinha sendo questionada. No dia 11 de agosto, após o fechamento do mercado, essa fornecedora de poder computacional de IA, conhecida como representante da “neocloud”, anunciou seus resultados do segundo trimestre fiscal de 2026 encerrado em 30 de junho. Tanto a receita quanto o lucro superaram as expectativas de Wall Street e o volume de pedidos em carteira ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões, levando o preço das ações a disparar mais de 14% no after-market.
Até o fechamento anterior à divulgação dos resultados, as ações da CoreWeave já tinham acumulado alta de cerca de 26% no ano. No entanto, o papel passou por forte volatilidade — nos últimos três meses, caiu cerca de 21%, recuando mais de 40% desde a máxima de 52 semanas de US$ 153,20. O mercado de opções precificava uma volatilidade bidirecional em torno de 15% antes do balanço. Os resultados acima do esperado estão reancorando as expectativas de valuation para esta líder em poder computacional de IA.
Principais dados financeiros: Receita supera expectativas; prejuízo reduzido acima do previsto
No segundo trimestre, a CoreWeave registrou receita de US$ 2,58 bilhões, um aumento de 112% em relação ao ano anterior e acima da estimativa média dos analistas, que era de US$ 2,56 bilhões. Esse número está próximo do topo da faixa orientativa da própria companhia, entre US$ 2,45 bilhões e US$ 2,6 bilhões.

No quesito lucratividade, o prejuízo líquido do trimestre foi de US$ 626 milhões, ou perda de US$ 1,14 por ação, principalmente devido aos altos custos de juros incorridos para expandir a infraestrutura — as despesas líquidas com juros atingiram US$ 640 milhões no trimestre, mais que o dobro do mesmo período do ano passado, mas ainda significativamente melhores em relação à previsão dos analistas de perda de US$ 1,41 por ação. O EBITDA ajustado chegou a US$ 1,51 bilhão, também superando a estimativa dos analistas, de US$ 1,43 bilhão. O lucro operacional ajustado ficou dentro do intervalo de US$ 30 a US$ 90 milhões previamente orientado pela administração.

Apesar do aumento do prejuízo em relação ao ano passado, quando o resultado líquido negativo foi de US$ 290 milhões, a magnitude do prejuízo ficou melhor do que o esperado pelo mercado, indicando que a empresa mantém disciplina financeira mesmo durante a rápida expansão. Em relação ao endividamento, ao final do trimestre, o passivo total em dívida atingia US$ 35 bilhões, principalmente para aquisição de GPUs de Nvidia e outros equipamentos. O custo com juros já havia alcançado US$ 536 milhões no primeiro trimestre, mais de onze vezes o lucro operacional ajustado, destacando a pressão financeira do modelo de expansão alavancada.
Pedidos em carteira ultrapassam US$ 104 bilhões: Evidência inequívoca de demanda por poder computacional de IA
O dado que mais animou o mercado no segundo trimestre foi o volume de pedidos em carteira (Revenue Backlog), que chegou a cerca de US$ 104 bilhões, aumento de 246% em relação ao ano anterior, e em alta ante os US$ 99,4 bilhões do final do trimestre anterior. A empresa revelou ainda que, no início de julho, conquistou mais de US$ 25 bilhões em novos compromissos líquidos de clientes, o que implica que o backlog real supera amplamente US$ 104 bilhões.

No início de julho, a empresa conquistou mais de US$ 25 bilhões em compromissos líquidos de novos clientes, que não foram incluídos nos US$ 104 bilhões mencionados acima. Isso significa que, até o início de julho, o valor total dos contratos firmados, mas ainda não reconhecidos como receita, chegou a quase US$ 130 bilhões.
O CEO Michael Intrator declarou no comunicado de resultados: “A CoreWeave atingiu um ponto de inflexão importante neste trimestre; nossa escala está começando a se converter em uma alavancagem operacional cada vez maior.”
Analistas do Jefferies destacaram que a CoreWeave já contratou energia superior a 3,86 gigawatts, o que implica um potencial de receita anual acima de US$ 46 bilhões. Já o Cantor Fitzgerald estima que, em 30 de junho, o backlog poderia ter atingido US$ 131 bilhões.
Na conversão de pedidos em receita, a expectativa é que cerca de 36% das obrigações remanescentes sejam cumpridas em até 24 meses, o que implica um pool de receita anualizada de aproximadamente US$ 17,8 bilhões — bem acima da mediana do guidance para a receita do ano fiscal de 2026, que é de US$ 12,5 bilhões. Analistas observam que o aumento constante do backlog indica que a “demanda por inteligência artificial permanece forte”.
Em expansão de clientes, no trimestre, a Meta se comprometeu a investir US$ 21 bilhões adicionais na CoreWeave; a Anthropic assinou acordo de cooperação plurianual; a gigante de trading quantitativo Jane Street firmou compromisso de US$ 6 bilhões. Outros grandes clientes incluem OpenAI e Microsoft. A empresa anunciou também acordo com a contratada de defesa Leidos para fornecer serviços seguros de nuvem de IA para agências federais dos EUA.
Em teleconferência com analistas, Intrator afirmou que os contratos assinados no segundo trimestre permitirão margens de lucro de 5 a 10 pontos percentuais acima dos trimestres anteriores, em parte devido à alta demanda por capacidade, o que possibilitou obter termos mais favoráveis.
Expansão ativa: entrada na Ásia e revisão para cima do capex e do guidance anual
A CoreWeave está acelerando sua expansão global. A empresa anunciou sua entrada inédita no mercado asiático, com a construção de três data centers na Indonésia, com capacidade total de 360 megawatts. Ao fim do trimestre, 1,5 gigawatt da capacidade de energia contratada já estava operacional, e espera-se que até o fim do ano a capacidade ativa ultrapasse 1,85 gigawatt.
A estimativa da CoreWeave é de receita entre US$ 3,45 bilhões e US$ 3,6 bilhões no terceiro trimestre, sendo a mediana (US$ 3,525 bilhões) equivalente a um crescimento anual de cerca de 158%. Os dados mostram que a previsão dos analistas está próxima do limite inferior desse intervalo.

Impulsionada pela forte demanda, a CoreWeave elevou sua previsão anual:
O guidance para receita anual de 2026 passou de US$ 12 bilhões – US$ 13 bilhões, para US$ 12,4 bilhões – US$ 13,2 bilhões. A previsão anterior dos analistas era de US$ 12,63 bilhões.
O lucro operacional ajustado esperado foi revisado de US$ 900 milhões – US$ 1,1 bilhão para US$ 960 milhões – US$ 1,15 bilhão.
O capex anual foi ajustado de US$ 31 bilhões – US$ 35 bilhões para US$ 35 bilhões – US$ 39 bilhões.

Barômetro do setor: O entusiasmo por investimentos em infraestrutura de IA segue validado
Como uma das poucas fornecedoras públicas de “neocloud”, o desempenho da CoreWeave é considerado um importante termômetro para a demanda geral por poder computacional de IA. O resultado acima do esperado confirma o fortalecimento do ciclo de investimentos em infraestrutura de IA.
A CoreWeave concluiu seu IPO em março de 2025 e, graças à parceria próxima com a Nvidia (que é sua principal fornecedora de chips e também uma acionista significativa), atraiu uma grande quantidade de investidores. O CEO Mike Intrator afirmou, na conferência com analistas, que os preços e margens das linhas Blackwell e Vera Rubin “estão atingindo novos recordes”; já o CFO Nitin Agrawal destacou que a empresa está repassando o aumento dos preços dos componentes aos clientes.
Num contexto em que o investimento em infraestrutura de IA passa do “armamentismo” para o “crescimento estrutural”, a profunda integração com a Nvidia, o backlog de mais de US$ 100 bilhões em contratos e a expansão global dos data centers posicionam a CoreWeave como a “neocloud” mais representativa desta onda multitrilionária de infraestrutura de IA. Como disse o CEO Intrator, a empresa atingiu o ponto de inflexão “em que a escala começa a se converter em alavancagem operacional” — a questão-chave agora é: Será que os US$ 35 bilhões em dívida conseguirão ser rapidamente convertidos em lucro sustentável diante da explosão contínua da demanda?
Sob uma perspectiva mais ampla, várias empresas ligadas à IA apresentaram resultados impressionantes recentemente. No mês passado, a Microsoft anunciou o crescimento mais rápido da nuvem em quatro anos; o Google Cloud, do Alphabet, superou as expectativas de receita, e o backlog de pedidos subiu de cerca de US$ 460 bilhões para US$ 514 bilhões. No mesmo dia do balanço, a Super Micro Computer, fabricante de servidores de IA, também divulgou resultados; a Applied Materials, fabricante de chips, publica seu balanço nesta quinta-feira.
Vale ressaltar que a CoreWeave enfrentou forte volatilidade nas duas últimas semanas — o fundo de hedge especializado em IA, Situational Awareness, foi forçado a liquidar todas as suas posições públicas em razão de um estouro de alavancagem, pressionando o preço das ações de várias empresas de tecnologia. Em 31 de março, o fundo detinha cerca de 1,6% das ações negociadas da CoreWeave. A Castle, de Ken Griffin, acabou assumindo grande parte das posições em ações do setor de IA. O resultado muito acima do esperado da CoreWeave está ajudando o mercado a reconfirmar a força real da demanda por poder computacional de IA.
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