Durante a noite, o mercado levou dois duros golpes consecutivos
No fechamento de segunda-feira, o clima de tensão aumentou novamente — preços do petróleo, dólar e rendimento dos títulos do Tesouro americano subiram em sincronia. O preço do petróleo ultrapassou a linha de alerta de 80 dólares (já passou), o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos tocou exatamente a linha de alerta de 4,7% (fechou exatamente nesse patamar) e o índice do dólar está próximo da linha de 100 (bem na porta dos 100).
O mercado levou dois tapas pesados (um fez os rendimentos dos títulos dispararem, outro jogou o mercado acionário americano para baixo):
O primeiro tapa veio do preço do petróleo, cujo aumento explosivo (não só passou de 80 dólares, como também superou a média móvel de 50 dias) mudou o panorama geral dos mercados globais.
Como mencionamos hoje no nosso “Global Market Notes”:
Os rendimentos dos títulos americanos estão praticamente “seguindo ponto a ponto” o aumento do preço do petróleo, e a possibilidade de alta dos juros em setembro voltou para perto de 50%.
O aumento do preço do petróleo não só puxou o rendimento dos títulos americanos como também elevou a probabilidade de alta dos juros pelo Federal Reserve para 52% (acima dos 44% de sexta-feira passada). Este tapa, na verdade, atingiu o Federal Reserve. A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Loretta Mester, chegou a dizer na segunda-feira que agora é hora de começar a subir os juros gradualmente, “várias vezes”.
O segundo tapa veio da Nvidia, que atingiu a principal “crença” das ações de tecnologia. A Nvidia anunciou a criação de uma plataforma de financiamento de computação de IA junto a seis grandes instituições de Wall Street, com planos de alavancar mais de 500 bilhões de dólares em capital de terceiros. Após o anúncio, o mercado acionário americano virou para queda.
500 bilhões de dólares — esse número por si só já é suficientemente impressionante. Não significa que a Nvidia vai colocar 500 bilhões de dólares do próprio bolso, nem que as seis instituições já comprometeram esse valor imediatamente; trata-se de uma meta de captação. O que mais preocupa é se a cadeia produtiva de IA começaria a formar um “ciclo de financiamento”?
Um exemplo simples: a empresa A investe na empresa B, B usa o dinheiro para comprar produtos da A, a receita da A aumenta e, então, A volta a investir na B. Assim, o faturamento de A cresce, o de B também, e os investidores avaliam A e B cada vez mais alto. Com as valorizações, as duas empresas conseguem obter mais recursos no mercado. Com o novo financiamento, conseguem investir ainda mais. E assim a história vira um ciclo — esse é o chamado “ciclo de financiamento”.
Após o fechamento de segunda-feira, precisei revisar minha avaliação para esta semana. Antes, definimos segunda-feira como “choque”, terça “silêncio” e quarta “epicentro do CPI”. Agora, a sensação de choque de segunda ainda não desapareceu totalmente e ficou um fator em aberto para terça-feira — o petróleo bruto.
Se na terça-feira o preço do petróleo voltar a cair para 82 dólares, abaixo da média de 50 dias, e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano também recuarem, então o mercado pode voltar a se acalmar enquanto espera pelo CPI de quarta-feira. Mas se na terça o petróleo continuar subindo e o rendimento do Tesouro americano testar, ou até romper, os 4,70%, aí a situação muda.
Hoje, fique de olho em dois números de fechamento: se o petróleo dos EUA vai conseguir sustentar os 82 dólares (80 dólares é a linha de alerta, 82 dólares é a de confirmação) e se o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos vai se manter abaixo de 4,70%.
As duas perguntas deixadas na segunda-feira terão que ser respondidas na terça — depois de encostar nas linhas de alerta, será que ainda dá para recuar? (Wall Street Intelligence Community)
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