Segundo o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Caijing (智通财经APP), o investidor de longo prazo Dan Ives voltou a colocar a Palantir (PLTR.US), empresa de análise de dados com foco em inteligência artificial, sob os holofotes. Ele afirma que, com a aceleração da adoção de IA corporativa, a capitalização de mercado da Palantir pode eventualmente atingir US$ 1 trilhão — o dobro da sua avaliação atual de US$ 414,6 bilhões.
Segundo informações, Ives fez essa previsão durante a conferência Future Proof, realizada em Huntington Beach, Califórnia; por enquanto, trata-se de um relato e não uma comunicação oficial dele ou da empresa. Essa declaração é mais uma das várias em que Ives se mostra otimista em relação à empresa, frequentemente destacando a Palantir como uma de suas principais escolhas para participar da onda de investimentos em IA.
"O Messi da IA": a lista de declarações de Ives em 2024
No início desta semana, Ives participou do podcast Global Money Talk e colocou Palantir, Nvidia (NVDA.US) e Microsoft (MSFT.US) como a “espinha dorsal da revolução da IA”, chegando a chamar a Palantir de “Messi da IA” (“the Messi of AI”), justificando pelo seu poder de execução e capacidade de transformar tecnologia de IA em aplicações corporativas.
De acordo com as notas do episódio, Ives também compartilhou sua visão sobre a escala de construção em IA: para cada dólar gasto em chips da Nvidia, outros setores tecnológicos podem gerar um “multiplicador de 10 vezes”; ele retornou recentemente de visitas a centros de dados em áreas rurais de Nebraska e mencionou que existem até 1.500 centros de dados em construção nos EUA, denominando-os o “coração e pulmão” dessa revolução; e afirmou que, após 30 anos, os EUA finalmente superaram a China no desenvolvimento tecnológico. Ele refutou abertamente a ideia de uma “bolha da IA”, indicando que a indústria está no terceiro ano de um “ciclo de construção de 8 a 10 anos” — “a festa da IA começou às 9h30, agora são 11h30, e a festa vai até às 4 da manhã.”
Em 27 de agosto, ele classificou Palantir como o “padrão ouro” dos casos de uso de IA, afirmando que sua pesquisa mostra participação em até 70% a 80% dos casos de IA; ele prevê que a empresa pode alcançar US$ 1 trilhão em valor de mercado nos próximos dois a três anos. Ives destacou, em especial, que os negócios comerciais nos EUA são o principal motor de crescimento, com potencial de manter uma taxa de crescimento de 80% a 100% e escalar de US$ 250 a 500 milhões para US$ 1 bilhão nos próximos 12 meses; ele também acredita que o fluxo de caixa livre da empresa pode saltar de aproximadamente US$ 2-3 bilhões para US$ 7-8 bilhões nos próximos anos, sustentando assim a avaliação atual.
Vale ressaltar que houve mudanças no cargo de Ives em 2024: foi reportado que ele deixou a Wedbush após oito anos em 1° de julho e atualmente é sócio e diretor geral sênior na Yorkville Ives. Outro detalhe relevante: segundo o 247wallst, em 27 de agosto Ives mencionou seis ações de IA em entrevista, todas presentes na carteira do ETF (IVES) que leva seu nome, mas sem divulgação relacionada durante o programa.
O preço das ações espera um catalisador
O pano de fundo dessas declarações é o momento pelo qual a Palantir passa: o preço das ações carece de uma nova narrativa. Após um salto inicial devido ao relatório de ganhos do mês passado, o papel opera em uma faixa estreita, enquanto investidores aguardam um catalisador para romper com o atual patamar.
O próprio relatório trouxe combustível para a narrativa de crescimento em IA. A receita do segundo trimestre saltou 93% para US$ 1,94 bilhão, sendo a receita comercial nos EUA responsável por um aumento de 149%; além disso, a estimativa de receita total para 2026 foi elevada para US$ 8,15 a 8,16 bilhões, implicando um crescimento de 82%. Analistas destacam que o conceito de “AI Soberana” (“Sovereign AI”), proposto pela empresa — que permite que clientes gerenciem e personalizem grandes modelos de IA em ambiente seguro, com total controle dos dados e dos pesos do modelo —, além do modelo personalizado AIP com engenheiros FDE dedicados, cria barreiras competitivas diferenciadas em relação ao SaaS tradicional.
Em relação a preço e avaliação, no fechamento de terça-feira, Palantir era negociada a US$ 173,31, com valor de mercado aproximado de US$ 416,5 bilhões e variando entre US$ 106,37 e 207,52 nos últimos 52 semanas. Apesar de uma queda de quase 3% em 2024, as ações apresentaram altas consecutivas: +340% em 2024 e +135% em 2025. A avaliação permanece elevada: o índice P/L (TTM) está em torno de 148x, sendo a mediana de cinco anos 270x; índice P/S de 45x e PEG em cerca de 3,42x.
UBS concorda: “barata” em relação a outros pares de software de IA
Wall Street também enxerga continuidade da demanda. Na terça-feira, o UBS reiterou a classificação “compra” para Palantir e aumentou o preço-alvo de US$ 220 para US$ 250. O analista Karl Keirstead, do UBS, fundamentou essa decisão após participar do evento AIPCon da Palantir, voltado para clientes e executivos.
Em relatório, escreveu: “Nossa visão — de que Palantir é o melhor facilitador de IA no mercado (tornando modelos de ponta úteis em grandes empresas) — foi reforçada após conversas com executivos e clientes, e a dinâmica da demanda é bastante robusta.”
Seu principal argumento é o valuation: Palantir negocia atualmente a cerca de 51 vezes o fluxo de caixa livre estimado para 2027 (anteriormente 46 vezes), estando portanto barato em relação a Snowflake (SNOW.US) e CrowdStrike (CRWD.US), mesmo com crescimento superior a 90%; ele projeta crescimento composto de 63% nos próximos três anos, justificando um prêmio de 53 vezes o fluxo de caixa livre estimado para 2028.
Keirstead apontou duas preocupações dos investidores que pressionam o valuation: o crescimento de curto prazo pode estar perto do pico e fornecedores de modelos-base podem integrar diretamente a camada de software de dados — ele refutou ambos: “Palantir está à frente em três áreas-chave de crescimento: IA, dados e defesa tecnológica moderna, merecendo um prêmio significativo, o que torna seu papel relativamente barato.” Ele também citou uma colaboração potencial mais profunda com Nvidia como um catalisador, mas admitiu que a narrativa da “IA Soberana” promovida pela Palantir traz certo interesse próprio, e a resistência dos clientes em relação aos fornecedores de modelos de ponta não é tão forte quanto a empresa sugere.
Divisão: analistas de Wall Street estão otimistas, “grandes vendidos” e investidores de varejo apostam na queda
Segundo a Koyfin, dos 32 analistas que cobrem Palantir, 21 recomendam “compra” ou superior, 9 sugerem “manter” e 2 “vender” ou nota inferior; o preço-alvo médio é de US$ 196,84. Outra fonte, LSEG, aponta que até terça-feira, 23 de 33 analistas recomendavam compra ou forte compra.
No varejo, o sentimento é oposto ao dos analistas institucionais. Na plataforma Stockwits, o sentimento dos investidores individuais permanece “baixista” e não mudou na última semana. Um trader comentou: “Palantir é interessante. O dinheiro grande está tentando segurar, mas continua caindo. A correção está se formando, é só questão de tempo.”
O movimento dos investidores institucionais também é cauteloso. De acordo com o GuruFocus, nos últimos três meses os insiders da Palantir venderam cerca de US$ 124 milhões; nos últimos 90 dias até 9 de setembro, a venda líquida de insiders foi de cerca de US$ 34,5 milhões, sem registros significativos de compras internas no período.
O representante dos “vendidos” é o investidor conhecido Michael Burry: ele entende que o mercado avalia a Palantir como uma software house de alto crescimento, mas que de fato o negócio se assemelha mais a uma consultoria. Ele critica o uso extensivo de incentivos baseados em ações, o aumento dos prejuízos operacionais federais dos EUA (NOL) de US$ 5,5 bilhões em 2025 para US$ 9 bilhões, e os gastos do CEO com jatos particulares, de US$ 7,7 milhões em 2024 para US$ 17,2 milhões em 2025. Ele escreveu: “Para Palantir, de muitas maneiras, o próprio preço das ações é o modelo de negócios.” Burry acredita que a capitalização de mercado da empresa pode cair para menos de US$ 100 bilhões e, eventualmente, a receita poderá diminuir ao longo do tempo, levando à aquisição da empresa por um valor muito inferior.
De um lado está a narrativa de “US$ 1 trilhão” e, do outro, o leve declínio das ações em 2024 e o pessimismo do varejo — a divergência atual em torno da Palantir não está em seu crescimento, mas sim em quanto espaço para erro o índice P/L de 148 vezes dá para essa curva de crescimento.