A guerra pela distribuição dos lucros da inteligência artificial na Micron (MU.US) esquenta? Sindicato em Taiwan ameaça greve, e fornecimento de HBM pode acender alerta
Um sindicato de Taiwan que representa funcionários da Micron Technology (MU.US) alertou nesta terça-feira que poderá haver uma greve caso a fabricante americana de chips de memória não concorde em estabelecer um sistema permanente de participação nos lucros.
Segundo o Jinse Finance APP, um sindicato taiwanês que representa funcionários da Micron Technology (MU.US) alertou nesta terça-feira que poderá haver greve, caso a fabricante americana de chips de memória não aceite criar um sistema permanente de participação nos lucros, aprofundando ainda mais o conflito trabalhista em seu maior centro de fabricação.
A região de Taiwan é um centro de produção fundamental para os chips DRAM e de memória de alta largura de banda (HBM) da Micron, que são componentes essenciais para servidores de IA. Embora não haja anúncio de greve e a produção permaneça sem impacto por enquanto, qualquer movimento grevista pode aumentar as preocupações de fornecimento em um mercado de chips de memória já pressionado.
O impasse ressalta a crescente pressão sobre fabricantes de chips de memória para dividir os lucros proporcionados pelo boom da IA. O sindicato da Micron em Taiwan destacou que concorrentes sul-coreanos como Samsung Electronics e SK Hynix já têm programas de participação nos lucros para os funcionários, pressionando ainda mais a sua demanda.
O sindicato afirma buscar um sistema de participação nos lucros de longo prazo, transparente e verificável, em vez de bonificações pontuais, e reitera a exigência de que 15% do lucro operacional da Micron seja distribuído aos funcionários globalmente.
“Caso não haja uma proposta concreta em 18 ou 21 de setembro e os funcionários sintam que a empresa está apenas a ganhar tempo, vamos declarar o colapso das negociações e caminhar para uma votação de greve”, declarou Jerry Lin, presidente do sindicato que representa os trabalhadores da fábrica da Micron em Taoyuan.
“Ano extraordinário” e bônus recorde
Na semana passada, a Micron anunciou que, após o que chamou de “ano extraordinário”, pagará bônus para mais de 60 mil funcionários no mundo todo no ano fiscal de 2026. Segundo o plano, funcionários em Taiwan contratados até 29 de agosto de 2025 receberão um bônus em dinheiro de 1 milhão de dólares taiwaneses (aproximadamente 31.498 dólares), e novos contratados receberão valores proporcionais.
Relatos anteriores indicam que a remuneração total dos operadores de produção em Taiwan equivale a 35 a 68 salários mensais, com uma compensação mínima de 1,7 milhão de dólares taiwaneses. A bonificação total média de um engenheiro júnior chega a 3,4 milhões de dólares taiwaneses, sendo que cerca de 2,9 milhões são em dinheiro e o restante em ações da companhia.
No entanto, o sindicato de Taoyuan, que representa cerca de dois terços dos funcionários da Micron em Taiwan, recusou a proposta, mantendo a exigência de que 15% do lucro operacional sejam incluídos na participação dos lucros e mantendo a ameaça de greve.
O sindicato afirma que o novo bônus não atende à demanda por um mecanismo permanente de participação nos lucros e criticou a Micron por anunciar os pagamentos antes do fim da mediação e de qualquer acordo com o sindicato.
A Micron não vinculou os bônus de 2026 ao conflito trabalhista em Taiwan nem respondeu diretamente à ameaça de greve. A empresa declarou: “Continuaremos ouvindo o feedback dos membros da equipe e estamos comprometidos em participar do processo de mediação de forma transparente e sincera.”
Já estão previstas novas reuniões de mediação trabalhista entre a empresa, o sindicato de Taoyuan e outro sindicato que representa funcionários de Taichung, no centro de Taiwan. Segundo o sindicato de Taoyuan, juntos eles representam mais de 80% dos cerca de 15 mil funcionários da Micron em Taiwan. O sindicato também pretende realizar um evento para os funcionários próximo à fábrica da Micron no parque tecnológico Huaya nesta quinta-feira.
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