Chevron (CVX.US) busca alternativas para proteger-se contra a interrupção do fornecimento no Oriente Médio: foca no crescimento global de LNG na Argentina e no Mediterrâneo, e procura fechar acordos com a Índia
A Chevron está de olho na Argentina e na região do Mediterrâneo, buscando crescimento global em GNL e planejando fechar um acordo com a Índia.
De acordo com o aplicativo financeiro Zhihui Financeiro, Freeman Shaheen, presidente global de gás natural da Chevron (CVX.US), afirmou que, devido à crise no Oriente Médio que aumentou a preocupação dos compradores com a segurança energética e ao crescimento contínuo da demanda, a Chevron está buscando expandir seu portfólio global de ativos de gás natural, desde a Argentina até o Mediterrâneo. Nos últimos quatro anos, o mercado global de gás natural passou por duas grandes interrupções: a guerra na Ucrânia em 2022, que cortou o fornecimento do principal produtor, a Rússia, e o conflito no Irã deste ano, que interrompeu o fornecimento do Catar, elevando o preço do gás natural liquefeito (LNG).
"O que aprendemos com essa crise é que ela reforça precisamente a necessidade de diversificação — diversificação das fontes de fornecimento e dos diferentes tipos de contratos", disse Shaheen. Ele acrescentou que os compradores não devem "se expor ao risco do mercado à vista — o mercado spot de LNG é, na verdade, muito menos líquido do que o de petróleo bruto e derivados".
Portfólio de capacidade de 20 milhões de toneladas e quatro grandes direções de expansão
Atualmente, a Chevron terá uma capacidade de fornecimento de LNG de cerca de 20 milhões de toneladas por ano, incluindo uma produção líquida de aproximadamente 16 milhões de toneladas de seus projetos, além de contratos assinados desde fevereiro deste ano na Costa do Golfo dos EUA para fornecimento de 4 milhões de toneladas — estes últimos serão liberados gradualmente nos próximos anos, conforme os acordos.
"Queremos continuar expandindo esse portfólio", disse Shaheen em uma entrevista à margem da conferência Gastech, em Bangcoc.
"O desenvolvimento de petróleo e gás na Argentina tem perspectivas muito boas. O leste do Mediterrâneo também é uma região muito empolgante para nós", afirmou. Ele também vê oportunidades promissoras na Austrália e na África, desde que os projetos ofereçam as condições adequadas de capital, fiscais e regulatórias, e ressaltou que a guerra Irã-EUA fortaleceu a necessidade de um portfólio diversificado de gás natural.
Shaheen não especificou em quais locais a empresa pode expandir na África, Austrália ou leste do Mediterrâneo. Em junho deste ano, a Chevron foi aprovada como operadora de um bloco offshore na Grécia e liderará a exploração de gás natural, ampliando sua presença na região.
Venezuela: O desafio de priorizar mais de US$ 7 bilhões em investimentos
No entanto, essas oportunidades precisam ser equilibradas com os planos de investimento na Venezuela — a Chevron e seus parceiros pretendem investir mais de US$ 7 bilhões no país até 2031 para mais do que dobrar a produção de petróleo.
"Ouço constantemente que haverá grande aporte de capital na Venezuela", disse Shaheen à Reuters. "Todos os projetos passam por nossa lista de análise e depois são priorizados."
A base asiática e a mudança no comportamento dos compradores
A Chevron já atua fortemente na Austrália, operando os maiores projetos de LNG do país, Gorgon e Wheatstone, cuja maior parte do fornecimento vai para o Japão. "O Japão ainda é nossa base principal e também temos oportunidades estruturais importantes em Singapura", afirmou Shaheen, acrescentando que a China e a Coreia continuam sendo mercados atraentes. Em 2024, a Chevron assinou acordo com a Sembcorp Industries de Singapura para fornecer até 600 mil toneladas de LNG por ano a partir de 2028.
Ele observou que a forma como os compradores de LNG garantem o fornecimento também está mudando: importadores estatais estão mais dispostos a fazer contratos diretamente com fornecedores de portfólio do que depender de acordos intergovernamentais.
Índia: Sensível a preços, mas "com enorme potencial"
"Gostaria muito de fechar um acordo na Índia. Mas eles são extremamente, extremamente sensíveis ao preço de referência", afirmou Shaheen. "Penso que a Índia ainda está em estágio de crescimento. Com o tempo, surgirão enormes oportunidades por lá."
Contexto: A guerra do Irã remodela o mercado global de gás natural
A "conflito do Irã deste ano" citado por Shaheen refere-se à guerra iniciada em 2 de março, quando ataques militares iranianos atingiram a rede de exportação do Catar, levando a QatarEnergy a fechar a maior planta do mundo de LNG, Ras Laffan, fazendo o preço do gás na Europa saltar quase 50%. O Catar responde por cerca de um quinto do LNG mundial, tendo reduzido suas exportações em cerca de 96% em relação ao período pré-guerra; estimativas indicam que o país acumulou uma perda de cerca de US$ 24 bilhões em seis meses, e a restauração total das instalações pode levar até cinco anos.
Em termos de preço, o JKM, referência asiática spot, rompeu US$ 25 por milhão de BTU durante o pico do conflito, alcançando o maior valor desde 2022. Os estoques europeus continuam em queda — relatos indicam que a taxa de preenchimento no continente está em apenas 60%, o menor valor histórico para o período, e a Alemanha registrou apenas 50%.
As instituições mantêm projeções cautelosas para o futuro. Em relatório de 10 de setembro, o Goldman Sachs apontou que as exportações de LNG do Golfo Pérsico estão apenas entre 15% e 25% do nível normal pré-guerra. O banco elevou sua previsão de preço TTF para o último trimestre, de 53 para 70 euros/MWh, e do JKM de US$ 18,90 para US$ 24,85. No cenário extremo de fluxo pelo Estreito de Ormuz durante o inverno limitado a apenas 25% do normal, o TTF pode atingir 105 euros e o JKM cerca de US$ 35. Entretanto, o banco também alerta para uma lógica inversa no longo prazo: como projetos de exportação de LNG dos EUA continuam recebendo licenças, a previsão do TTF para 2030-2035 foi reduzida para 19 euros/MWh.
A oferta restrita também está remodelando as rotas comerciais. Após o TTF europeu ultrapassar o JKM asiático e inverter as referências de preço, a participação do LNG exportado do Golfo do México dos EUA para a Europa saltou de cerca de 55% em junho-julho para mais de 65% em agosto; ao mesmo tempo, preços elevados provocaram destruição da demanda, fazendo com que a China registrasse queda prevista de cerca de 18% nas importações de LNG em agosto.
As apostas da Chevron na Argentina: dois projetos somam mais de US$ 16 bilhões
O otimismo de Shaheen sobre a Argentina tem como pano de fundo dois grandes investimentos da Chevron no país. Segundo relatos, a Chevron está prestes a fechar um acordo de fornecimento para um projeto conjunto de processamento de líquidos de gás natural (NGL) de US$ 3 bilhões, em parceria com a YPF e o produtor privado Pluspetrol, tendo a operadora de gasodutos TGS à frente do desenvolvimento de capacidade de processamento na área de xisto de Vaca Muerta. Além disso, há informações de que a Chevron já apresentou, dentro do regime de incentivos a grandes investimentos da Argentina (RIGI), um pedido de US$ 13,8 bilhões para desenvolver petróleo. Os dois compromissos somam mais de US$ 16 bilhões. Vaca Muerta é um dos maiores campos de petróleo e gás de xisto fora da América do Norte, tornando-se a região central para o aumento da produção e exportação de hidrocarbonetos da Argentina.

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