O fundo soberano da Coreia do Sul entra na corrida tecnológica, com trilhões de wons voltados para indústrias estratégicas como IA e robótica
A Coreia do Sul planeja injetar mais de 1 trilhão de won (aproximadamente 707 milhões de dólares) em um novo fundo soberano no próximo ano, com foco em investimentos em inteligência artificial (AI) e outros setores estratégicos.
O aplicativo Jinse Finance informa que, segundo relatos, a Coreia do Sul planeja, no próximo ano, injetar mais de 1 trilhão de won (aproximadamente 707 milhões de dólares) em um novo fundo soberano, com foco em inteligência artificial (AI) e outras indústrias estratégicas. Essa medida acompanha a tendência global de governos que mobilizam investimentos para conquistar vantagem na área de alta tecnologia.
Min Kyung-seol, vice-ministro de Finanças responsável pela inovação e crescimento na Coreia do Sul, afirmou na terça-feira: “Os detalhes específicos não podem ser divulgados, mas o volume de investimento no próximo ano pode ficar entre 600 bilhões e 1 trilhão de won.” Ele acrescentou que o valor final poderá superar a estimativa inicial, dependendo dos alvos e das necessidades de capital. Min também deixou claro que, por ora, o fundo não planeja investir diretamente em Samsung Electronics ou SK Hynix — empresas que se tornaram pilares da atual onda global de AI.
O novo fundo foca nas áreas de AI, robótica e energia, priorizando empresas pós-rodada B
No mês passado, a Coreia do Sul anunciou uma capitalização de 20 trilhões de won na Korea Investment Corporation (KIC), para investir em inteligência artificial, centros de dados e infraestrutura. Min explicou que o novo fundo dará à KIC autoridade independente para investimentos estratégicos, além de seu papel tradicional de gerir reservas internacionais.
Ele acrescentou que o fundo também irá direcionar recursos para robótica, energia, baterias e infraestrutura de redes elétricas. Energia nuclear, tecnologias espaciais e quânticas também estão sob consideração.
Em termos de estratégia, o novo fundo irá priorizar empresas que já passaram pela fase inicial, especialmente aquelas com modelos de negócio maduros e entrando em rodadas de financiamento Série B e posteriores. Além disso, quando outros investidores buscarem saída, o fundo poderá adquirir participações em empresas ou projetos, estratégia que Min chama de “investimento de revezamento”.
Até o fim do ano passado, a KIC administrava 232 bilhões de dólares em ativos. Min afirmou que o novo fundo será separado das operações tradicionais, com estratégias e objetivos próprios. Ele destacou que, ao contrário do fundo atual de reservas da KIC, que investe apenas no exterior, o novo fundo fará investimentos diretos de longo prazo em participações, tanto no mercado doméstico quanto internacional.
Disputa global por ativos de AI: Coreia do Sul quer ser “guia” para investidores
A iniciativa da Coreia do Sul surge no contexto em que fundos soberanos aceleram a corrida por ativos ligados à AI. A Mubadala Investment Company, de Abu Dhabi, considera investir 1 trilhão de ienes (cerca de 6,3 bilhões de dólares) para construir um centro de dados no Japão; a Temasek Holdings, de Singapura, planeja participar da rodada pré-IPO da Aetetech, fornecedora de produtos ópticos para centros de dados em Shenzhen.
No cenário mundial de fundos soberanos disputando ativos de AI, a Coreia do Sul opta por uma postura pragmática e ambiciosa: não ser pioneira arriscada na fase inicial, mas assumir o papel de “revezamento” em setores consolidados e liderar o capital global.
Min informou que fundos soberanos e fundos de pensão do Oriente Médio, Europa e América do Norte já procuraram o governo sul-coreano para discutir potenciais investimentos no país, bem como eventuais parcerias com o novo fundo. Ele não revelou os nomes dos investidores, dizendo que as conversas ainda estão em estágio inicial.
Min acrescentou: “Diversos fundos públicos estão em operação e estamos ativamente explorando caminhos para estabelecer uma posição única para este fundo.”
Quanto aos investimentos no exterior, Min explicou que o fundo irá focar minerais críticos, recursos e outros ativos que fortaleçam a cadeia de abastecimento estratégica do país, podendo também colaborar com fundos nacionais e investidores especializados para impulsionar esses investimentos.
Min declarou que o governo coreano definirá diretrizes estratégicas por meio do comitê operacional do fundo, enquanto o conselho e o comitê de investimentos da KIC cuidarão das decisões e alocações específicas. Ele reforçou que o governo não irá interferir nas transações individuais.
“Estamos empenhados em montar um fundo soberano que funcione como investidor âncora, atraindo recursos para a Coreia do Sul e co-investindo com os principais investidores globais”, afirmou Min.
Aviso Legal: o conteúdo deste artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa a plataforma. Este artigo não deve servir como referência para a tomada de decisões de investimento.
Talvez também goste
Primeiro investimento direto em ações sul-coreanas! Segundo a mídia sul-coreana, Temasek planeja “comprar na baixa” ações da Samsung e SK Hynix
O fundo soberano de Singapura, Temasek, planeja investir diretamente pela primeira vez no mercado de ações da Coreia do Sul, pretendendo construir posições em Samsung Electronics e SK Hynix com recursos próprios. A Temasek considera que os chips de memória são o segmento mais subestimado na cadeia de valor da IA, e planeja aumentar a participação de ativos relacionados à IA para 15% nos próximos cinco anos. Se a entrada for bem-sucedida, fortalecerá seu portfólio de chips de memória, que já inclui ativos como Nvidia, TSMC, ASML e OpenAI.
web3: Aviva implanta um fundo de liquidez de 3 bilhões de dólares no XRP Ledger
