Trump não critica mais apenas o presidente do Fed: pressão por corte de juros volta-se para todo o conselho
O presidente dos Estados Unidos, Trump, recentemente voltou a comentar sobre a política de taxas de juros, reafirmando sua preferência por uma redução das taxas, mas reconheceu que essa decisão não cabe apenas ao presidente do Federal Reserve.
De acordo com o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro (智通财经APP), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar recentemente sobre a política de taxas de juros, reiterando sua preferência pela redução das taxas, mas reconheceu que essa decisão não cabe apenas ao presidente do Federal Reserve – em comparação com suas críticas contundentes anteriores aos antecessores, este tom demonstra uma postura claramente suavizada, levantando o interesse do mercado sobre mudanças sutis na relação entre a Casa Branca e o Federal Reserve.
Mudança de postura: do confronto à contenção em relação ao Fed
Na entrevista concedida na sexta-feira (7 de agosto), Trump foi questionado se o presidente do Federal Reserve, Kevin Walsh, deveria evitar aumentar os juros antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Ele respondeu: “Isso depende dele até certo ponto, mas não é uma decisão apenas dele. Ele tem um conselho extremamente politizado.” Ele voltou a criticar nominalmente alguns membros do conselho, incluindo o ex-presidente Jerome Powell e a atual conselheira Lisa Cook, dizendo: “A decisão não é só dele, mas sim de um conselho.”
Essa declaração contrasta fortemente com os ataques anteriores de Trump ao Fed. Antes da nomeação de Walsh, Trump atacou repetidamente o ex-presidente Powell por cortar as taxas muito devagar, chegando a pedir abertamente taxas negativas, rompendo a tradição da Casa Branca de evitar comentários sobre a política do banco central. O reconhecimento de que “não é decisão de uma só pessoa” foi interpretado pelo mercado como um teste mais suave para Walsh, em vez de uma pressão direta.
Lógica econômica não convencional: bons dados = juros baixos?
Trump também afirmou, durante a entrevista, que gostaria de “voltar àqueles tempos” — quando dados econômicos positivos significavam queda nas taxas de juros, descrevendo um cenário totalmente oposto ao habitual entre economia e política monetária. “No passado, quando você anunciava bons dados econômicos, os juros caíam”, disse ele.
No entanto, essa lógica contraria a estrutura tradicional da política monetária. Normalmente, dados econômicos fortes significam aumento nas pressões inflacionárias e risco de superaquecimento, levando o banco central a subir juros para estabilizar o ciclo. O discurso de Trump, “bons dados = juros baixos”, reflete sua intenção política de reduzir os custos de empréstimos para estimular o crescimento, em vez do foco tradicional no controle inflacionário.
Casa Branca e Fed: preocupações do mercado sob um equilíbrio delicado
Recentemente, fontes informaram que Trump tem mantido contato telefônico regular com Kevin Walsh, desde que este assumiu a presidência do Federal Reserve, sinalizando uma tentativa do presidente de exercer maior influência sobre o banco central.
As fontes, que pediram anonimato devido à natureza privada das conversas, revelaram que desde a confirmação de Walsh pelo Senado, em maio, ocorreu diversas chamadas entre ambos, nas quais Trump questiona Walsh sobre previsões e opiniões econômicas, mas não pressiona por ações de política específicas. Uma das fontes afirmou que as ligações não têm periodicidade, enquanto outra disse que a frequência é baixa. Até agora, não está claro se discutiram política monetária.
Embora o conteúdo exato das ligações permaneça incerto, Trump há muito defende cortes agressivos nas taxas de juros pelo Federal Reserve. Conversas e encontros entre presidentes americanos e presidentes do Fed já aconteceram antes, mas são extremamente raros, sendo as tentativas de Trump de influenciar a política monetária consideradas as intervenções mais contundentes das últimas décadas.
O histórico de Walsh também oferece espaço para especulação no mercado. Como ex-conselheiro econômico do governo Bush e ex-diretor do Fed, é visto como um representante do “grupo do Congresso”, e as expectativas predominantes do mercado para suas posições políticas são consideradas dovish. Contudo, a afirmação de Trump de que “não depende totalmente dele” sugere que há forças de contrapeso dentro do conselho do Fed — especialmente com a permanência de Powell e de membros nomeados durante o governo Biden, como Cook, o que implica que Walsh pode não ter total domínio ao tentar promover mudanças na política.
Impacto no mercado e perspectivas
Atualmente, a ferramenta CME FedWatch indica que a probabilidade de aumento dos juros em setembro caiu de 67% na semana passada para 55%. Embora a declaração de Trump não tenha mudado diretamente a trajetória da política, reforçou ainda mais a percepção do mercado de que a Casa Branca favorece um ambiente de juros baixos. Enquanto isso, a independência do Fed continua sob pressão política latente, especialmente com a proximidade das eleições de meio de mandato, tornando difícil evitar totalmente a politização da política monetária.
Para os investidores, a interação entre Trump e Walsh será uma variável de acompanhamento para os próximos meses — caso a relação evolua do “teste suave” para uma “pressão direta”, poderá abalar a confiança do mercado na independência do Fed, provocando flutuações adicionais nos títulos do Tesouro americano e na cotação do dólar.
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